Conquistas e derrotas
Há uns anos avariou a televisão que tínhamos na cozinha. Como era daquelas pequenas e de marca branca, não valia a pena mandar arranjar porque o arranjo saía mais caro do que uma nova. Desde essa altura que só temos uma televisão e é na sala - o que exige muito diálogo e entendimento para todos ficarem satisfeitos (ou não).
À hora das refeições não há lugar para distrações audiovisuais, apenas as tropelias de ter três crianças à mesa com idades tão diferentes, um pai que faz e diz muitas asneiras quando não está saturado das coisas da escola (e não são as crianças que saturam) e uma mãe que ri facilmente.
Nem sempre o fazemos à refeição, às vezes é no carro a caminho de casa, mas frequentemente partilhamos um momento bom e um momento menos bom do dia – todos nós, e isso ajuda-nos a saber como foi do dia de todos - menos do pequeno, que ainda não conseguimos entender. Assim, aprendemos a saber o que é importante para cada um de nós, mesmo coisas que, à partida, parecem não ter qualquer importância. Os filhos ficam a conhecer um pouco mais os pais e a perceber que também eles têm as suas conquistas e derrotas. Despimos a nossa alma e sem deixarmos de ser os seus heróis, somos igualmente humanos.

